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A única descriminação que sofri quando morei nos USA, lá por 1996

Isso aconteceu em 1996, quando eu morava nos USA, estava lá estudando, num intercâmbio . Realmente, há muito tempo.

Eu morei em uma cidade chamada River Falls, estado de Wisconsin. Sabe onde a neve faz a curva ? então, lá . A cidade fica bem próxima à capital de Minnesota, Minneapolis, e claro, consequentemente próxima ao Canadá. Lá em cima. Sim, essa cidade que escolhi para morar, há quase 20 anos.

Vivíamos em Minneapolis , pois era a metrópole mais próxima da gente, e era acima de tudo, super legal ! Tudo de mais legal acontecia em Minneapolis !

Havia um lugar em especial de Minneapolis que nunca mais vou me esquecer, que era uma casa de show chamada de 1st Avenue ( First Avenue ), era demais ! vi muitos shows lá ! sempre íamos pra lá para assistir a vários shows. E um certo dia fui convidada para ir ao show do Olodum, sim ! Olodum fazendo show em Minneapolis ! Apesar de não ser meu estilo musical, eu aceitei pois seria a chance, depois de tanto tempo por lá, encontrar outros brasileiros, ouvir música brasileira, enfim…

Antes do show eu já fui apresentada ao pessoal do Olodum, ficamos um tempo juntos lá, durante o show, com os produtores e tal , e também depois que acabou o show , na verdade eu não sabia quem era quem ali …  o legal era que eu estava conversando em português ( tendo em vista que foi numa época sem internet , a gente não via brasileiros, não nos comunicávamos … )

E assim iniciou o meu primeiro bullying sofrido na América, a primeira real descriminação , a qual eu nunca vou me esquecer, pois fiquei um tanto ofendida e chocada com a atitude das pessoas que me descriminam .

O mais interessante ( ou não ), é que eu sofri todo esse preconceito nojento não pelos americanos, mas sim pelos baianos que estavam juntos com a banda Olodum e por alguns membros da própria banda, e o pessoal que acompanhava o Olodum. O estopim do inicio do bullying foi quando um deles me perguntou de onde do Brasil eu era, e eu respondi : “sou paulista”. Isso foi o estopim de tudo, eles levaram isso como ofensa, não sei por que, só sei que eles ficaram na defensiva o tempo inteiro comigo e ainda ficava me imitando dizer “sou paulista” com risadas, zoação, e depois de tudo isso , começaram a me xingar de patricinha e fazer sotaque de paulista falando que eu era uma paulista riquinha, patricinha, chegaram a dizer coisas horríveis, tentando me imitar sempre, dizendo : “sou paulista, odeio preto, odeio nordestino” , e continuavam sem parar ! Sendo que a única coisa que eu disse, foi ter respondido a pergunta deles. Eles me zoaram o show inteiro, depois do show também, me apresentaram para outras pessoas da banda ou amigos da banda, eu não conhecia ninguém — me apresentaram como a “paulista riquinha” , etc, etc, etc . Me lembro claramente que o tempo todo eles me apontavam e falavam alto : “olha lá a riquinha paulista “, da forma mais pejorativa que você possa imaginar. Obviamente não me lembro de tudo o que eles disseram, afinal, está completando 20 anos dessa história, mas eu nunca mais me esqueci e foi um trauma pra mim por algum tempo. Nunca mais vou me esquecer desses caras do Olodum, principalmente os caras que estavam acompanhando a banda, os chefões, sabe ? esses que me discriminaram mais.Não era a molecada que batucava, eram os mais velhos. Eles foram extremamente agressivos, e quando estavam me zombando, estavam totalmente sérios e só davam risadas entre eles, falando de mim e cochichando entre eles. Eu me senti horrível, foi definitivamente a única vez na minha vida que eu sofri preconceito no exterior. E eu ainda fui sofrer preconceito de brasileiro . Essa foi minha história com Olodum, banda a qual nunca mais tive o respeito que algum dia eu tive, afinal , eu paguei para ir ao show deles.

Engraçado que na época, pela minha pouquíssima idade , sem muita experiência de vida, eu fiquei quieta e não contei pra ninguém, de tanta vergonha ! Eu fiquei muito sem graça e chocada o tempo todo. Eu me lembro de ter chorado quando cheguei em casa. Foi muita ofensa para mim, só por que eu era uma estudante paulista morando nos USA. Por que eles se achavam no direito de me ofender daquele jeito ?

Se fosse hoje em dia, com toda essa informação que temos na internet sobre bullyings, preconceitos e tudo mais, eu iria fazer com certeza um boletim de ocorrência contra esses caras, lá em Minneapolis , nos USA , mas era uma outra época, enfim …

E como eu mantenho todos os meus tickets de shows que já fui pelo mundo, aqui está o ticket do show do Olodum, em Minneapolis, em 1996 :

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Categorias:USA
  1. Ilka
    20 de outubro de 2014 às 5:25 PM

    Puxa, Lu, que triste! Mais chato ainda porque adolescente não sabe como regir e fica morrendo de vergonha.
    Eu sou pernambucana e com 21 anos estava em Itu/SP visitando alguns amigos e fui a um churrasco, quando perguntaram de onde eu era e respondi “sou pernambucana”, começou a zoação. Imitaram meu sotaque, disseram que os nordestinos trouxeram miséria para São Paulo, que São Paulo nos carregava nas costas, que no Nordeste só havia analfabeto, eu fiquei me sentindo péssima e não consegui dizer nada.
    Hoje sei que eles foram preconceituosos, mas na época eu não queria nem falar para não reconhecerem meu sotaque de tanta humilhação.
    Preconceito é sempre ridículo!
    Beijo

    • 21 de outubro de 2014 às 8:38 AM

      Que coisa mais desagradável !!! Preconceito pode vir de todos os lados , basta ser ignorante de mente fechada !

  2. 14 de outubro de 2014 às 9:00 AM

    Pois é Lu, isso há quase 20 anos e eu passei por algo parecido numa festinha de criança, ano passado. A maioria das meninas era do Norte/Nordeste e quando eu disse que eu sou paulista, pronto, começou a zoação, assim de graça. Não tinha espaço pra se falar de outra coisa. Tudo ficou em volta do sotaque, da imitação do nosso jeito de falar de comos nós paulistas “nos achamos”. Puxa, foi muito chato, cara, sendo que eu não tenho nenhuma intimidade com elas. Acho que certas coisas podem até acontecer, mas têm coisas que passam completamente do limite.

  3. 11 de outubro de 2014 às 8:22 PM

    Estou muito admirada. Como pode haver tanta falta de educação e tamanho desrespeito? Para mim ficou claro que, além de serem pessoas de baixíssimo nível, a autoestima ali era nenhuma. Pisar nos outros para se sentir superior, só mesmo quando o complexo de inferioridade se alia ao mau caráter. Lamentável.

    • 12 de outubro de 2014 às 4:09 PM

      pois é, nunca mais vou me esquecer desse episodio !

  4. Ricardo Dellai
    11 de outubro de 2014 às 6:33 PM

    Bom como você mesma disse que tinha pouca experiência na época já explicou tudo. Eu neste caso sentiria orgulho afinal sou paulistano também. rs Olodum para mim é lixo, se me zoassem como fizeram contigo, eu zoaria 1000 vezes mais com eles. Este seu relato me faz sempre relembrar quanto estou no exterior, se devo ou não falar que sou brasileiro em função de certos malas brasileiros. Este ano em maio estava na itália e falo italiano fluente, me passei por gringo frente a muitos brasileiro que notei serem baixo nível como estes do olodum que você citou. Temos que ser seletivos isso já é uma prática adotada por mim como sou poliglota é fácil ignorar os malas brazucas. Muito legal o seu relato. Abracos. Regards.

    • 11 de outubro de 2014 às 7:04 PM

      preconceito e descriminação é coisa de ignorante, independente de nacionalidade, opção sexual ou religião.

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