Imprensa, Tatuí-SP

Um texto inédito meu , que saiu no jornal em Janeiro.

Onde tudo se mistura.

O aroma dos temperos, as cores dos lenços, a musicalidade dos “flautistas de cobras dançarinas”, o calor das cabeças de cabras fervendo na panela se exalando por toda a praça, carros, motocicletas, cavalo, camelo, gente, o verdadeiro caos, um turbilhão de diferentes emoções, uma confusão contagiante chamada Marrocos.

Aqui falo como viajante, mochileira, e não como turista. Vivência é o que importa, e não hotel quatro estrelas com café da manhã internacional. Como disse um mochileiro Europeu, que ficara no mesmo hostel (albergue) que eu: “não quero ovos mexidos! Quero cabeça de cabrito”.

Marrakech é a cidade onde tudo acontece. E o melhor está no contraste, a exuberância das Mesquitas Muçulmanas, dos jardins exóticos de “Alah”, das muralhas e torres Islâmicas, um verdadeiro cartão postal que tira o fôlego de qualquer viajante. E por falar em tirar o fôlego…o outro contraste é o que o viajante sente na pele, no ar, na comida – o povo, a cultura, a tradição, onde tudo acontece , onde está a “gente de verdade” de Marrakech – a Medina. A confusão toma conta do dia e da noite. O caos tem um cheiro típico da cidade. Tudo se compra, tudo se vende, tudo se come. Barracas e mais barracas de comidas típicas, marroquinos fazendo trocas de mercadorias em plena praça, cobras dançando, música sem parar, lenços e mais lenços, lâmpadas mágicas e “tapetes voadores”, tudo se negocia aqui na Medina. A realidade se instala. O marroquino rico não chega aqui. Aqui é tudo de verdade.

Labirintos dentro de verdadeiras cavernas, nos levando às mais exóticas “vendinhas”, incluindo as mais populares que são as de lenços e colares, verdadeira preciosidade! um caminho sem fim, portas e mais portas, tudo de pedra, todas fechadas – provavelmente moradias , incluindo a porta que eu procurava toda vez que voltava à noite, a porta do meu albergue. Minha rotina à noite, passar pelo labirinto de pedras, contar as portas por onde eu passava, as lojinhas específicas que eu havia memorizado, até chegar ao meu “conforto internacional “- meu albergue – caminho que me fez ficar perdida várias vezes nos primeiros dias.

Fala-se Francês quando é conveniente, fala-se árabe quando é ainda mais conveniente. Não se engane! faz-se calor e também faz-se frio. Assim é nas Montanhas do Atlas, nas redondezas de Marrakech, onde podemos ver o povo mais tradicional e nativo do Marrocos, o povo Berbere – aquele que vive nas montanhas geladas. Parece outro país! Lugares cobertos de neve, cachoeiras, pontes suspensas de tábuas, e vilareijos rurais – camelos. Um outro Marrocos, um povo diferente, um povo que não fala francês nem inglês, mas que oferece chá de hortelã como cortesia.

Marrocos é colorido, saboroso, cheiroso e muito sonoro. Onde quer que você se perca, seja nos ricos jardins contemporâneos ( os que com certeza devem lembrar os da Babilônia ), nas escadarias das torres que chamam o povo às preces, nas montanhas desertas de um país primitivo, nas cavernas habitadas e inabitadas, ou mesmo no calor do caos das praças da Medina, onde tudo se mistura – o velho e o novo, e se torna um só – Marrocos.

Jornal É Notícia

Tatuí – São Paulo

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10 comentários em “Um texto inédito meu , que saiu no jornal em Janeiro.”

  1. Oi Lu

    Tenho a mesma percepção que vc….pra quê tanto conforto se vou ao quarto apenas para dormir? E como não ganho tanto para viajar muito, prefiro os hotéis em promoções ou hostels….é uma forma de economizar e fazer até uma outra viagem…
    Mas mudando de assunto: a minha amiga tá ficando FAMOSA….olha, já está até aparecendo no jornal…hahaha

    Beijinhos, seja muito bem vinda e adorei todos os posts que vc fez!

  2. Olha só, se eu pudesse ficar em hotéis 4 estrelas eu ficaria sim … rss Ficar em um lugar mais confortável não quer dizer necessariamente que vc vai perder alguma coisa importante da viagem. Pode por ex. tomar o café da manhã fora do hotel, ué !

    Lindo seu texto ! Quero ir pra Marrocosssssssssssss !!!

    Bjs

  3. hehe, em BsAs, eu sempre fico no Sheraton em Puerto Madero! Costumo topar qualquer parada, não curto luxo, mas meu nome do meio, é e sempre será conforto 😛 (e olha que meu conceito de conforto é bem particular).

    Bjos, Jú

Adoro comentários ! respondo todos :)

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