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St Petersburgo, minha segunda casa…

Tudo em São Petersburgo é tão familiar para mim

Dificilmente me surpreendo com as situações aqui, com o que acontece nas ruas e nos transportes públicos. Hoje quando estava voltando do trabalho, pela Nevskiy Prospekt ( a rua principal ), percebi o quanto eu conheço e me sinto em casa nessa cidade. Até as pessoas que trabalham nas ruas como vendedores de jornais, vendedores nas lojas, nos quiosques, até os ambulantes, todos os rostos são familiares para mim, eu sempre vejo as mesmas pessoas, nas mesmas horas, nos mesmos lugares, nas mesmas estações de metrô, a cidade se torna tão pequena que parece apenas um bairro onde todos os vizinhos se conhecem. Até cachorros de rua, os quais sempre ficam nos mesmos pontos, eu conheço, eu sei cada um deles. Eu faço tudo automaticamente, não penso quando pego o metrô para o trabalho, meus passos são todos automáticos, as direções, virar direita ou esquerda, mesmo nas estações maiores, onde várias linhas de trem se cruzam, está tudo na minha mente. Não preciso ouvir o condutor falando qual a próxima estação, na verdade eu ouço música o tempo todo quando estou indo para o trabalho, e mesmo assim, sem ouvir em qual estação eu estou, eu saio na estação certa, sem erro. Sou um robô.

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Hoje na minha frente dentro do metrô estavam sentados pai e filho, o pai tinha mais ou menos uns 50 anos e o filho a minha idade. Os dois estavam bebendo vodka, já alterados, com certeza trabalham no mesmo lugar e estavam voltando pra casa depois de uma longa jornada de trabalho. Os dentes do pai eram quase todos de ouro ( uma tradição da União Soviética ) e o filho mal tinha dentes, típica família soviética que ainda vive como se nada tivera mudado. ( soviético é apenas uma expressão aqui, ser soviético significa que a pessoa não acompanhou as mudanças do país e não cresceu profissionalmente, não teve chances ou oportunidades, talvez sorte para vencer a queda da nação, como os novos russos e outras pessoas que venceram e são considerados russos, os russos modernos, os quais vão ao Mc Donald¿s, usam tênis Adidas ou Nike e freqüentam lugares onde vão muitos estrangeiros que moram aqui na cidade e turistas). Eu tenho um amigo aqui que se ofende muito quando eu o chamo de soviético, eu digo soviético pois ele nasceu em 1977, ou seja, viveu uns 10 anos sob a União Soviética, por isso o considero soviético, mas ele não gosta dessa palavra, ele diz que é russo , cem por cento russo, e não tem nenhum vínculo com a URSS.

Ele tem uma família interessante, a mãe dele foi dançarina, depois professora de dança e ballet e nos anos 80 foi a professora pioneira que introduziu o brake dance na Rússia, não é ótimo ?? sim…mas como em meados dos anos 80 as coisas mudaram muito ( Perestroika), ela perdeu tudo, seu emprego, seu apartamento, enfim, ficou pobre com a queda da URSS, como muitos russos. O pai desse meu amigo morreu de câncer em 1991, mas antes disso era também um artista muito famoso na cidade, era pintor e também escrevia contos. No final dos anos 80 começou a ficar doente e parou com sua vida profissional, até a morte.

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Deve ser muito difícil você ter uma vida normal, sem faltar nada e de repente tudo muda. Essa é a vida do meu grande amigo Maxim. ( o que está comigo na foto no bar )

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Categorias:Rússia
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