De volta à Rússia depois de 5 anos
Demorou,mas aconteceu. Voltei esse ano à Rússia depois de cinco anos desde a última vez que morei no país. São Petersburgo é a cidade, minha cidade. Inverno de 2012 atípico, com Ano Novo sem neve e temperatura acima de zero. De início não reconheci minha São Petersburgo, cadê os mercadinhos onde eu costumava fazer compras ? procurei por lugares que não existem mais. Que confuso. Tudo está maior, agora há grandes shoppings e grandes supermercados, não me identifiquei com aquela cidade que morei por tanto tempo. E a senhorinha que vendia frios na rua de casa ? não a encontrei também. Para mim, o primeiro dia dessa minha volta eu não estava em casa, estava em um país estrangeiro. Fiquei assustada, não encontrei o conforto de casa como esperava acontecer. O metrô agora tem cartão magnético…como assim ? Esse foi meu primeiro olhar depois de 5 anos. Felizmente, essa visão não durou mais que um dia.
Talvez a estética da cidade tenha mudado sim, o que me assustou um pouco nesse primeiro dia, mas a essência continua lá. E eu entendo a Rússia, eu entendo São Petersburgo, compreendo a cidade a as pessoas.Lá no fundo, nada mudou. As pessoas não mudam né…e muito menos a mentalidade delas. Tudo bem que agora as coisas estão mais fáceis e acessíveis na Rússia, mas o povo russo ainda gosta de complicar tudo e fazer um caminho mais longo para chegar ao seu destino, como sempre. Meus amigos estão mais ricos –fato. Isso quer dizer que a classe média e classe média baixa deu uma guinada na economia no país, exatamente como aconteceu aqui no Brasil. As pessoas possuem mais coisas. Estão vivendo melhor. Iphones e Ipads por todos os lados….na verdade não sei como estão as dívidas do povo russo, mas acho que não perde muito para o Brasil não, com certeza o povo está endividado para poder comprar todas essas coisas. Economia inflada. Como no Brasil. Um dia isso explode ? ai ai…ainda vai feder muito para ambos os lados. Muitas similaridades com o nosso país, pra variar…
Mas o povo me pareceu mais feliz….
Acho que, a cada dia que passa, a União Soviética vai ficando cada vez mais na lembrança e muito mais longe da vida do povo russo de hoje. (pelo menos dos jovens…). Mas mesmo assim, herança dessa cultura e tradição da União Soviética é forte na casa do russo, não importa quão jovem você é, isso você herda dos pais, avós…necessita de muitas e muitas gerações para essa história realmente ficar somente no passado. Ainda não é o caso.
Ainda me assusto de ter passado o Ano Novo sem neve…
Ainda me assusto com a quantidade shoppings europeus na cidade…
Queria chorar ! Para eu me contentar com as rádios russas, eu tinha que ouvir a “antena 1” da Rússia..rsrs…por que as rádios modernas só tocam musicas internacionais, hip hop e rap. Isso não acontecia há 6 anos atrás, onde essas mesmas rádios modernas tocavam a música russa, rock russo, balada russa, etc… O progresso sempre tem os dois lados.
Sem muitas divagações com a economia, com o estilo de vida do povo, mas queria chorar simplesmente por coisas mínimas —– cartão magnético no metrô e loja The Body Shop no centro ??? que vontade de chorar me deu ! tudo havia se perdido.
Mas as paranóias soviéticas não demoram muito para aparecer, para minha felicidade e nostalgia. O sour cream também está lá, no lugar onde deveria estar. Isso eu gostei. Os hábitos ruins adquiridos desde a Revolução Russa permanecem. Isso me ajudou a me sentir em casa.rs. A máfia sempre presente, claro. E o “jeitinho” russo também. Os barracos e brigas em estabelecimentos públicos como supermercados e trens continuam em ascendência. Para meu conforto, para minha busca de “o bom filho a casa torna”, tudo isso permanece lá.
Isso me faz querer voltar sempre agora. Acho que vou ter isso como uma regra na minha vida. Sempre dar uma passadinha na Rússia, rever os melhores amigos, dar um oi pra todos, ver como está tudo ……. pelo menos 1 vez em cada 2 anos, ou mesmo até todo ano, se eu estiver pela Europa.
Sabe, tudo isso…pelo que escrevo, pelo que penso, pelo que vivi…
Ao contrário desse monte de robô que habita esse mundo,
Eu sou diferente mesmo.

































































































































































































































































































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